Moby Dick, Sobreviver!

Ficha Artística e Técnica

Versão Dramatúrgica e Encenação | Fernando Casaca

Interpretação | Rita Sales | Fernando Casaca

Criação e Operação Vídeo | Leonardo Silva

Figurinos | Rita Sales

Operação Técnica | Tiago da Silva | Lisandra Branco

Comunicação e Produção | Marlene Aldeia

Insuflável | ArMeios

               No cruzamento entre os diversos oceanos – tanto os conhecidos como aqueles que emanam da imaginação – vive Moby Dick, uma enorme baleia branca temida e misteriosa. Ela é a protagonista das velhas histórias contadas pelos marinheiros- caçadores de baleias em todos os tempos ou lugares.

             A personagem-animal do clássico romance de Herman Melville – a que dá o nome – é perseguida pelo Pequod, o navio de caça à baleia comandado pelo capitão Ahab – um homem que arrasta consigo, quer na sua história de vida quer na própria pele, profundas cicatrizes como marcas de constantes lutas contra a Natureza. Natureza que é aqui simbolizada por Moby Dick.

          Melville vê na obsessiva perseguição de Moby Dick feita pelo capitão Ahab, o marinheiro símbolo da raiva humana e da vingança sobre a natureza, a via trágica que o levará à destruição e à própria morte. Com reminiscências na Parábola Bíblica de Jonas, a que aliás alude, Moby Dick e Ahab cumprem a profecia antiga: apenas um único homem sobreviverá, para contar a história!

            A versão livre da obra daquele autor americano recriada pelo Teatro do Elefante, na linha das últimas criações do TdoE, em torno de grandes obras da literatura universal, propõe uma interpretação atualizada daquele romance. Aproveita, antes de mais e para além da parábola de Jonas, para questionar a relação complexa entre a natureza dos homens e a vida natural. Interpela-nos, em primeiro lugar, sobre os nossos comportamentos face às baleias e aos animais em vias de extinção para, logo a seguir, nos colocar perante aquilo que fazemos e construímos em relação ao futuro comum: seremos irremediavelmente náufragos no nosso próprio planeta?

No final, os atores acorrentam-se a Moby Dick, soltando um grito mudo: Salvem o Planeta